IMPRENSA SURDA

A primeira cobertura jornalística do Núcleo ‘Imprensa Surda’ foi a da eleição do Grêmio Estudantil que aconteceu no CIEJA em abril deste ano. Para realizar a reportagem de cobertura sobre o dia da eleição, a edição e a interpretação em Libras aconteceram quatro encontros de organização. Participaram os estudantes repórteres: Bruno Pinho, Janete Leila de Matos Ygima, Michele Mota Torres, Rosinaide Francisca de Souza, Marly Ferreira Lopes e a educadora Voluntária Vitória Lopes Porto Justa.

O Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (CIEJA) Perus I está desenvolvendo uma ação pioneira dentro do Programa Agência de Notícias Imprensa Jovem – Rádio e TV CIEJA Perus I, que ocorre desde 2017. Neste ano, eles criaram o projeto ‘Imprensa Surda’ para dar oportunidade aos estudantes com deficiências de participarem da produção de conteúdos midiáticos na escola.O projeto tem como objetivo principal articular mídia e educação e possibilitar a produção audiovisual no ambiente escolar incluindo os estudantes com deficiências, em especial estudantes surdos, na criação de produtos para mídia social com acessibilidade em Libras, o que também estimula o desenvolvimento da competência leitora e escritora e das expressões comunicativas dos estudantes.

A próxima pauta da oficina acontece neste mês e será sobre o ator surdo Troy Kotsur, que ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante no filme ‘No ritmo do coração’. Serão realizadas quatro reuniões durante maio para fazer a matéria. Foi proposto que as estudantes acompanhassem o Oscar, assistissem ao filme e relacionassem suas histórias pessoais com a história do filme. Em junho a pauta será sobre o lançamento da primeira personagem surda em HQ, criada por Maurício de Sousa.O coordenador do Núcleo de Educomunicação, Carlos Lima, disse que essa é uma iniciativa inédita para a Educação de Jovens e Adultos e também é uma inspiração. “Promover a inclusão é uma das premissas dos projetos de Educomunicação. A iniciativa oferece inclusão social e pedagógica para os estudantes, potencializando a autoestima e oferecendo espaço expressão comunicativa “, comentou. A estudante Janete Leila de Matos Ygima, 53 anos, do 3º Módulo-A, diz que o projeto está “bem legal” e que tem gostado muito “porque mostra o uso da Libras para todas as pessoas.” “Para os surdos ajuda muito, pois falta janela de intérprete na maioria dos jornais da TV, dificultando a informação para nossa comunidade”. Janete é surda e foi repórter na primeira matéria que a equipe do ‘Imprensa Surda’ produziu. Já o estudante Matheus Sousa Pereira, 29 anos, do 3º Módulo-G, autista, conta que o projeto é muito interessante e legal, pois integra estudantes com deficiências diferentes, como surdez, Síndrome de Down e autismo.

Texto extraído do site da SME no dia 13 de Maio de 2022. Autoria de Rafaela e da estagiária Virgínia.